Audiência discute redução da taxa Selic

O deputado estadual Bruno Peixoto (PMDB), realizou no dia 1 de julho, no auditório Solon Amaral, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, uma audiência pública para discutir a redução da Taxa Selic, também conhecida como taxa básica de juros, e suas influências na economia brasileira.

O deputado presidiu a mesa de discussão que contou com a participação do presidente da Associação do Pró- desenvolvimento Industrial Estado de Goiás, José Alves Filho, o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de Goiás, Edson Bento dos Santos, representante do SEBRAE e do Conselho Federal da AO, Fernando de Paula Gomes Ferreira, o presidente do Conselho Regional de Economia da 18ª Região, Geraldo Almeida Silva; o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, Antônio de Sousa Almeida.

O presidente da Associação do Pró- desenvolvimento Industrial Estado de Goiás fez uma apresentação sobre a atuação situação econômica do Brasil e apontou medidas para retomar o crescimento do país e evitar a recessão induzida.   “Essa forma de combate à inflação, que corta os créditos ao aumentar a taxa de juros e travar o consumo, forçando os preços a cair, representa um modelo ultrapassado, fadado ao fracasso, pois funcionaria somente em um curto espaço de tempo, gerando novas crises a longo prazo. Sem consumidores com poder de compra as empresas brasileiras entrariam em colapso e o Brasil desaceleraria novamente economicamente, e com milhões de desempregados”.

Baseado em estudos de caso de economias de diversos países, José Alves acredita que a solução para a recessão deve passar pela retirada da taxa da inflação de dentro da taxa básica de juros, pelo achatamento da Selic para 3% ao ano (hoje ela está estabelecida em 14,25%) e pela irrigação de crédito ao consumidor.

Com políticas econômicas diferentes da política econômica brasileira, 35 países, entre eles todos que fazem parte da Zona do Euro e os G8, teriam taxas de juros menores que 1%. Outros 50 países manteriam a taxa abaixo dos 3%. Os percentuais baixos provariam que o Brasil, para ser internacionalmente competitivo para empresas, consumidores e para o próprio governo, deveria fazer os ajustes acima propostos.

A Selic de até 3% desindexaria o Brasil ao transferir a aplicação do Overnight (CDI) para o Mercado de Ações, fazendo com que o dinheiro fosse investido no sistema produtivo, ou seja, nas empresas, que são quem gera a riqueza de um país. “Em alguns países, como a Alemanha e o Japão, os bancos não geram renda para os trabalhadores, não aumentam o PIB da nação. Quem faz isso são as empresas, as indústrias, que têm sofrido com uma taxa Selic selvagem, de 14,25%”, afirmou José Alves.  

Ao apresentar dados sobre os juros cobrados pelos bancos, que podem chegar a 470% ao ano, o economista pontuou a necessidade de a política econômica brasileira facilitar a circulação do crédito ao consumidor. “Temos que cobrar do Governo, do Banco Central, um posicionamento diferente. Não podemos ser escravos do Mercado Financeiro. Quem gera e quem sustenta os empregos no Brasil são as empresas”, alertou.

 

 Goiás

Referente à economia goiana, o palestrante apresentou uma simulação de impacto da Selic frente à dívida bruta do Estado de Goiás. De acordo com José Alves, passando essa taxa para 3%, Goiás sairia de um déficit de 9,26% e passaria ao superávit de 1.75%. O economista também questionou a estratégia dos governos estaduais de solicitar o alongamento da dívida junto à União. “Isso é tampar o sol com a peneira. A revisão dos juros para 3% traria para o Estado uma economia mensal de 935 milhões de reais, entre encargos e amortizações”, explicou.

Encerramento

Ao encerrar a reunião o deputado Bruno Peixoto insinuou que a dependência eleitoral seria o motivo pelo qual os governantes continuariam insistindo nessa política econômica, considerada pelos presentes na audiência pública, prejudicial aos consumidores e às empresas por gerarem lucro somente aos bancos.

 

MAIS NOTÍCIAS
NEWSLETTER
(receba todas nossas notícias)